Guia essencial

STS-01 e STS-02: cenários padrão, certificado STS e como te preparares

Equipa Eu Quero Voar Atualizado a Conferido com a FAQ da ANAC a 6 min de leitura

Em resumo: os cenários padrão (STS) são operações da categoria Específica já pré-avaliadas pela UE, que um operador pode fazer com uma simples declaração à ANAC, sem pedir autorização caso a caso. O STS-01 é à vista (VLOS) sobre uma zona de solo controlada que pode estar em ambiente povoado, com drone C5; o STS-02 é além da linha de vista (BVLOS), sobre zona controlada em ambiente pouco povoado, com drone C6. O piloto precisa do certificado STS: exame teórico presencial de 40 perguntas na ANAC (75% para aprovar, uma única tentativa; mais perguntas para quem só tem o A1/A3) e formação e avaliação prática.

Categoria Aberta vs. Específica: porque existem os STS

A categoria Aberta cobre os voos de baixo risco com regras fixas. Assim que uma operação sai dessas regras — sobrevoar pessoas com um drone pesado, voar além da linha de vista, ultrapassar 120 m — entra na categoria Específica, onde o operador tem de demonstrar que gere o risco.

Há três caminhos na Específica: uma autorização operacional baseada numa avaliação de risco (SORA), um certificado de operador ligeiro de UAS (LUC) para operadores experientes, ou os cenários padrão. Os STS são o caminho mais simples: a avaliação de risco já foi feita pela UE, e o operador limita-se a cumprir o cenário à letra e a declarar à ANAC que o vai fazer.

Os dois cenários padrão europeus estão no Apêndice 1 do Regulamento (UE) 2019/947 e aplicam-se integralmente desde 1 de janeiro de 2024.

STS-01: à vista, sobre zona de solo controlada em ambiente povoado

Parâmetro STS-01
Linha de vista VLOS — o piloto (ou observadores de UA) mantém o drone à vista
Onde Sobre uma zona de solo controlada, que pode estar em ambiente povoado
Altura Até 120 m acima do solo
Drone Classe C5, menos de 25 kg
Típico para Filmagens e inspeções em cidade, obras, eventos com área vedada

A "zona de solo controlada" é a chave: uma área onde o operador garante que só estão pessoas envolvidas, com uma zona-tampão em torno e um plano para intrusos.

STS-02: além da linha de vista, em ambiente pouco povoado

Parâmetro STS-02
Linha de vista BVLOS — o drone pode estar fora da vista do piloto
Onde Sobre zona de solo controlada em ambiente pouco povoado
Distância ao piloto Até 2 km com observadores de espaço aéreo; até 1 km sem observadores
Altura Até 120 m acima do solo
Drone Classe C6, menos de 25 kg
Típico para Inspeção de linhas e infraestruturas, agricultura, levantamentos em áreas rurais

O que o operador tem de fazer

Antes de operar num STS, o operador de UAS (empresa ou pessoa) tem de:

  1. Estar registado na ANAC.
  2. Ter um manual de operações e procedimentos conforme o cenário.
  3. Submeter à ANAC uma declaração operacional (o modelo está no regulamento) e aguardar a confirmação de receção e de completude.
  4. Usar um drone da classe exigida (C5 para STS-01, C6 para STS-02).
  5. Garantir que os pilotos têm o certificado STS e a formação prática, e cumprir as obrigações do operador (UAS.SPE.060), incluindo a definição da zona de solo controlada e o briefing das pessoas envolvidas.

O certificado STS de piloto remoto

Para pilotar num STS precisas de:

  1. Prova de conclusão A1/A3 ou certificado A2 válido. Qualquer um chega: não precisas de ter os dois. Carregas o documento na plataforma da ANAC, que o verifica antes de te deixar pedir o exame presencial.
  2. Exame teórico STS na ANAC, presencial, com 40 perguntas de escolha múltipla e aprovação a 75%. Se só tens o A1/A3 (e não o A2), o curso é mais longo e o exame tem mais perguntas; a FAQ da ANAC não diz quantas. As matérias: regulamentação aeronáutica, limitações do desempenho humano, procedimentos operacionais, mitigações técnicas e operacionais do risco no solo, conhecimentos gerais sobre UAS, meteorologia, desempenho de voo do UAS e mitigações técnicas e operacionais do risco no ar.
  3. Formação prática e avaliação de competências para o STS em causa, feitas pelo operador ou por uma entidade reconhecida pela ANAC. A ANAC não emite a parte prática; certifica a teórica.

O certificado STS é válido durante 5 anos e reconhecido em toda a UE.

O exame presencial na ANAC: sessões, pedido, prazo e tentativa única

O exame STS faz-se nas instalações da ANAC, em sessões mensais e no mesmo dia do exame A2.

Próxima sessão: 16 de novembro de 2026. Vê o calendário dos exames presenciais da ANAC.

  • Pedido do exame: depois de carregares a prova de conclusão A1/A3 ou o certificado A2 e de a ANAC os verificar, fica disponível o formulário para pedir o exame presencial. Se o documento não estiver correto, no STS a ANAC avisa-te e tens de o carregar de novo.
  • Prazo de seis meses: tens no máximo seis meses desde a inscrição no curso STS para o concluir e fazer o exame.
  • Uma única tentativa: se ficares abaixo de 75%, pedes o desbloqueio por email a exames.drones@anac.pt e, depois, voltas a pedir o exame presencial pelo formulário (mais 1 tentativa). A resposta pode levar até 60 dias. Vê o que fazer se chumbares no exame de drone.

Como te preparares para o exame STS

O exame STS junta a matéria do A1/A3 e do A2 com temas novos (risco no ar, procedimentos de contingência e emergência do cenário, papel dos observadores, geometria da zona de solo controlada). O que resulta:

  • Estuda o Apêndice 1 do regulamento com atenção aos números: 120 m, 2 km, 1 km, 25 kg, classes C5 e C6, zonas-tampão.
  • Domina os procedimentos: o que fazer na perda de ligação, na intrusão de pessoas na zona controlada, na deteção de aeronaves tripuladas.
  • Treina por tema. A app Eu Quero Voar tem a preparação STS-01 e STS-02 separada, com perguntas de treino explicadas e exames simulados de 40 perguntas, com um cronómetro de 1 hora para treinares o ritmo.

Perguntas frequentes

Preciso de autorização da ANAC para operar num STS?

Não precisas de autorização, mas precisas de submeter uma declaração operacional e de a ANAC confirmar que está completa. É a diferença entre os STS e as restantes operações da categoria Específica.

Posso fazer STS com um drone sem marca de classe?

O STS-01 exige um drone C5 e o STS-02 um drone C6. Sem marca de classe, o caminho é a autorização operacional com avaliação de risco.

Quem faz a formação prática?

O operador de UAS (segundo o seu manual de operações) ou uma entidade reconhecida pela ANAC. A ANAC faz o exame teórico.

O STS-02 permite voar a qualquer distância?

Não. Até 2 km do piloto com observadores de espaço aéreo, até 1 km sem eles, e sempre até 120 m de altura.

Um piloto com A2 precisa do STS para filmar em cidade?

Depende. A 30 m de pessoas com um C2 chega o A2. Para sobrevoar uma zona controlada em ambiente povoado com um drone maior, é STS-01.

Fontes

Treina isto na app

Chega ao exame preparado

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Equipa Eu Quero Voar

Escrevemos estes guias a partir do Regulamento de Execução (UE) 2019/947, do Regulamento Delegado (UE) 2019/945 e das páginas da ANAC, indicamos as fontes no fim de cada um e revemo-los quando as regras mudam. A Eu Quero Voar é independente e não é afiliada à ANAC: prepara-te para o exame; o curso, o exame e o certificado são sempre da ANAC. Encontraste um erro? Diz-nos. Saber mais sobre nós.